domingo, 6 de agosto de 2006

“o mundo anda tão complicado”

mulher,
gera e fala.
homem,
mata e cala.
criança,
brinca: boneca e bola.

quem mata,

não chora.
quem chora,
faz rir.
e quem ri,
é louco.

palavras bonitas,

não são mais ditas.
verdades
são facilmente esquecidas.
o Amor
vende-se ou compra-se,
atacado e varejo.

o Sol,

não somente aquece,
coze, frigi, mata.
a chuva,não somente molha,
chuá, inunda, mata.
tudo muda o tempo todo.


o homem falha,
a falha é o homem.
“estrelas começam a cair,
pra onde a gente vai fugir?”
e a Holanda?

há tempos,
o Amor foi assassinado,
o redentor foi crucificado,
o iluminado foi finado.
eslavos são espionados.
cogumelos são americanizados.

água se transforma em sangue,
diabos em deuses
e Deus foi esquecido,
Pasárgada foi esquecida,
primaveras foram esquecidas,
- mas eu não esqueci. (Será que sou o único?)

sete são os anjos;
sete são as trombetas;
sete são os selos;
mulheres e homens não mais brigam,
imploram.
crianças não mais brincam,
choram.

mario auvim - ctba180296
5o. Lugar no Concurso de Poesias do CEFET-PR - 1996

3 comentários:

Anônimo disse...

Olá Querido Doce amigo!
Este deveria ser primeiro lugar.
Adorei a poesia!
Beijocas

Paola disse...

Já não é a primeira vez que leio esta poesia, e continua sendo a que eu mais gostei!!
beijos!!

Olinto A. Simões disse...

Um verdadeiro alerta, para quem mantém olhos fechados; ouvidos surdos, boca calada e mãos amarradas.

Continuemos amigo, com nosso gritos escritos.

Parabéns e Grande Abraço