quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Ser comum


O fragmento - “agora, lá fora, todo mundo é uma ilha, há milhas e milhas e milhas de qualquer lugar” - reflete bem o ser e estar de muita gente.

Já parou? Para pensar que fazemos o que nos pedem e ensinam, num ritual descompassado? Fazemos exatamente o que nossos pais, avós, bisavós fizeram. Nascemos – crescemos (tudo muito natural) – somos educados (doutrinados soa menos falso) – trabalhamos - casamos – geramos - e o ciclo se repetirá com nossos filhos. Diferentemente. Entretanto, igualzinho.

Complicado de responder, mas a pergunta que cabe aqui é simples: e é só isso? Seria um ciclo natural de evolução darwinista ou, até mesmo, criacionista? Um roteiro de filme, onde, muitas vezes, somos bandidos e mocinhos, num jogo de máscaras? Uma obrigação natural ou social? Uma regra que algum feliz ou infeliz estabeleceu? Um cara ou coroa?

Em um país repleto de injustiças sociais, metade deste processo concluído já seria mesmo um feito. E dos grandes. Digno de medalha de ouro ou de um Oscar, predeterminado pela Academia ao "melhor" filme.

Parece-me que “alguma coisa ficou pra trás”. Mas o quê? Bom se fosse só o guarda-chuva esquecido em algum banco de ônibus, logo após o cessar da chuva. Compraria outro. Fim do problema.

Plantar uma árvore. Gerar um filho. Escrever um livro. Senso comum da felicidade? Este é o problema, ser o comum. Ser só mais um José ou Maria na multidão. Estaria tudo bem? Não! Não? Ser um Neymar ou uma Gisele também não seria o bastante? Ou seria? Julgo que não é uma questão de dinheiro. Beleza. Glamour. É uma questão de saber qual o enredo. Quem é o diretor. Deus? O nome do filme. Elenco. Mocinhos. Bandidos. E onde você quer livre arbitrar.

Seguranças e segurança no mundo do faz de conta


Shopping. Transeuntes. Pessoas despreocupadas. Aparentemente. Seus devaneios estão em aonde ir e no que gastar. Precioso tempo. Precioso dinheiro. Precioso tempo-dinheiro.

Vai e vem frenético. Palavras. Perfumes. Sorrisos. Sorvetes, de verão. Lojas. Presentes. Bancos. Cinemas. Eventos. Beijos. Abraços. Choros. Gritos de crianças.

Tudo esquematicamente cercado por seguranças e segurança. Lembra-me das minhas aulas de História sobre nossos antepassados. Castelos com seguranças e segurança. Sob os domínios de algum rei. O povo do bem, dentro. E o do mal, fora.

Engraçado este mimetismo. A violência, supostamente, lá e eu aqui, escrevendo esta pequena reflexão. São e salvo. São e salvo? Do quê? De quem? Da Casa Verde e do Dr. Simão Bacamarte.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

1997 – 2004



1997 – 2004
“It must have been love”


Quantas vezes de mãos dadas passeamos naquele parque?
Foi lá que tudo começou e que também terminou.
Sem saber, pensando em você, a coincidência veio.
Restou saudades, carinho e gostinhos.
Eu aqui
Você aí.
Nós, nunca mais.
Carinho.
Saudades.
Gostinhos.

“It must have been love”
(!)
(?)
(…)

Curitiba 12.06.05 – 19:26

Salário Mínimo


1a. Salário Mínimo
2a. Salário Mínimo
3a. Salário Mínimo
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9a. Salário Mínimo
10a. Salário Mínimo
11a. Salário Mínimo
12a. Salário Mínimo
13a. Salafrário Máximo
14a. Salário
15a. Salário
16a. Salário
17a. Salário
18a. Salário
19a. Sala
20a. Sala
21a. Sala
22a. Sala
23a. Sa
24a. Sa
25a.
26a.
27a.
28a.
29a.
30a.
31a.

Pesadelo


Eu tinha uma galinha,
que se chamava Berlamina.
Um dia fiquei com fome
e matei minha Berlamina.
De suas penas fiz um travesseiro
e é dele meu pior pesadelo.


Curitiba 02.03.96

Que crime cometeu?

Envolvido pelas grades
ofereceu seu último pio.
Deixou saudades.
Mas a garotinha
tão logo o esqueceu.
Noutro dia,
outro canário,
pelo mesmo crime padeceu.
Que crime, agora, este cometeu?

Curitiba 27.03.05 – 04:34