Agradeço por me darem saúde de
qualidade. Agradeço pela segurança segura. Agradeço pelas iguarias de minha
mesa em todas as refeições. Agradeço pelo meu emprego fabril e meu salário que
persiste pelos 30 ou 31 dias de cada mês. Agradeço pela minha casa. Meu carro.
Minha banda larga. Agradeço também pelas iguais oportunidades dadas a todos.
Brancos. Pretos. Amarelos. Rubro-negros. Tricolores. E, lógico, a mim, que estou em algum censo
desses, bem caracterizado. Sei portuguez,
ingrês, espanhou. Sei somar e diminuir. Sei escolher meus governantes. Graças
a educação de alto nível que me proporcionaram durante os maravilhosos anos que
passei na escola pública, comendo quirera de milho com carne de soja nos
saudosos recreios das 10.
Agradeço pela maioria de meus
sonhos se tornarem realidade e se ainda alguns não se concretizaram foram por
culpa exclusiva minha, que não corri e suei por eles.
Agradeço ao
Lula. Ao FHC. Ao Itamar. Ao Collor. Ao Sarney. E agora a presidenta Dilma. Meus
contemporâneos. E, enfim, a todos. Sobretudo aos brasileiros, que como eu,
orgulhosos da nacionalidade, elegemos vocês, digo, Vossas Excelências. Viu? Sei
empregar os pronomes de tratamento aprendidos com as tias direitinho.
Somos um povo
ordeiro e progressivo. Quando injustiçados saímos às ruas, mesmo de pijamas de
bolinhas azuis e pantufas de ursinho, para fazer panelaço.
E “quem for
brasileiro que me siga!” Quem não, que volte assistir a novela.