segunda-feira, 19 de março de 2012

Cantiga Ocre Demerara

Sofria de falta de importância.

Um dia, acometida de  crise aguda,  tomou um cafezinho  num boteco e sumiu.

Anos depois, um poeta pós-moderno a encontrou e a levou para tomar ar e sol.

Curada  da  desimportância,  ela  agora  sorria  e  aplaudia  ao  ouvir  rimbaud e baudelaire.

E o poeta jamais lhe disse que a encontrara morta, toda encolhida, misturada com restos de açúcar demerara, dentro de um mísero sachê antigo de bar.

Por Lilly  Falcão
09.03.2012

Um comentário:

Lilly Falcão disse...

Que honra constar nos textos do seu blog! Não tinha visto ainda, por isso o agradecimento tardio! Encantada! Um beijo no seu coração!

Lilly